Autofagia da imprensa e otras cositas…

By rachelgazolla

Cri Cri

1. Tenho ouvido com insistência a frase a meio-sorriso: e você acredita na imprensa? Isso se deve ao exagero com que a mídia cria notícias sem o fato, de fato. Um malabarismo. Um exemplo: a epidemia de febre amarela é um foco de febre amarela. Com 180 milhões de habitantes, esse foco causou 7 mortes e pode causar mais porque os infectados viajam. Então, tem que correr atrás, sim, mas há uma diferença entre epidemia e foco, não? Mas a mídia precisa de notícias e essstiiica. Querem outro exemplo? Após o gravíssimo acontecimento na cadeia do Pará, com a jovem que foi seguidamente estrupada, o que vs ouviram falar após? O que foi feito, o que está sendo feito???? Então, sai uma noticiazinha com um título que induz a pensar em outro acontecimento igual, agora no Paraná, creio, e que eu gelei. Será que é coisa normal e não sabíamos? Você lê e fica sabendo que havia dois presos na cadeia e uma moça que foi visitar o local quis ficar com um dos presos e dormiu com ele por lá, por vontade e gosto. Desde quando isso é notícia??? ÔO fraqueza!!

2.Por pequenas coisas que somamos aos montões, aqui e ali, a imprensa se auto-devora. Pena, porque o homem criou essa coisa de imprensa faz tempo e foi muito importante, e bom. Agora… quem acredita nisso? Questão de tempo para lermos e ouvirmos o que os jornais e tevês têm a falar e criarmos o espírito de estar seguindo uma chanchada.

3. No meio de um jornal, bem escondido, uma jornalista sem nome para o grande público (e para seu chefe), nos brinda com uma bela notícia que deveria ser capa: mais de 90% dos projetos de lei no congresso NÃO SÃO provenientes de desejos populares, mas são endógenos. Ôpa! Â

4. Minha amiga, Carolina Boccafina, me avisa que o Brasil não tem rigorosamente moda fashion alguma! Como, Carolina? E ela responde que não será um cinto roxo sobre amarelo e uma alça caída da blusa, ou um desfile com botas desamarradas, ou um corte à esquerda e não à direita, ou uns penduricalhos à direita e não à esquerda, ou… que vão fazer a boa moda “brasileira”. Há muito o que aprender. Pergunte se a imprensa, que cobre ad nauseam o evento fashion, é capaz de criticar com alguma verve… Never! Ôo pobreza!Â

5. O homem médio brasileiro, que a literatura já chamou de cordial (! será? tem ar de gozação, mas literatos não fazem gozação, acho), aprende tudo depressa: aprendeu a lidar com a inflação-sarney de 80%; aprendeu a não pagar ou burlar IRenda (só os não-assalariados); aprendeu a usar armas (!); agora, aprendeu a mexer, ele mesmo, com a Bolsa. Só que não aprendeu sobre os tempos de crise e está todo mundo apavorado. Calma, pessoal! É assim mesmo… aprende-se sofrendo. Coraggio…

6. O advogado dos coreanos do Bom Retiro, em São Paulo, respondendo à boa reportagem sobre os bolivianos (ufa!) que por aqui chegam e ficam ilegalmente trabalhando em situação sub-humana, tem uma lógica estranha. Ele acha que lá, na Bolivia, eles viviam pior do que aqui. Não me diga? Quer dizer que é melhor morrer com uma facada do que com sete?

Já está bom por hoje. Depois eu volto prá falar do calote das dívidas de americanos consumidores contumazes.

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Uma resposta para “Autofagia da imprensa e otras cositas…”

  1. Maria José Speglich Disse:

    O problema é que muitos jornalistas não se desculpam pelos erros e exageros que cometem.

    E o pior…continuam assim.

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